Em 13 de agosto, a Organização Internacional do Trabalho publicou um relatório sobre a mudança nas habilidades exigidas pela adoção de IA. O estudo aponta maior importância para capacidades cognitivas de nível mais alto, habilidades socioemocionais, competências digitais e letramento em IA. A conclusão prática é desconfortavelmente simples: saber pedir algo a uma ferramenta não basta para trabalhar bem com ela.
O que a mentoria passa a treinar
É aí que a mentoria muda de papel. Em vez de concentrar a conversa em recursos, atalhos e exemplos que deram certo, ela pode criar situações em que a pessoa precisa justificar uma escolha, perceber uma lacuna de contexto e decidir o que fazer quando a resposta parece boa, mas não é confiável.
Uma sessão curta pode partir de uma tarefa real e seguir três movimentos:
- A pessoa mostra o resultado e a intenção. O que precisava decidir ou entregar?
- O mentor pergunta pelo critério. Que fonte, regra ou conhecimento do contexto sustentou essa resposta?
- Os dois procuram a exceção. Em que cenário esse mesmo caminho poderia prejudicar alguém, gerar retrabalho ou exigir escalonamento?
Esse tipo de prática desenvolve autonomia sem confundir autonomia com isolamento. O trabalhador aprende a usar IA, mas também aprende a reconhecer quando precisa consultar uma pessoa, voltar à fonte ou reformular a própria tarefa. É uma habilidade especialmente relevante quando as ferramentas ampliam a variedade de atividades que alguém assume.
O relatório da OIT não prescreve um método de mentoria. A leitura editorial aqui é que, se agência humana e habilidades socioemocionais se tornam mais importantes, o feedback precisa acompanhar o trabalho real — inclusive os casos ambíguos e os erros recuperáveis.
Na próxima conversa de mentoria, escolha uma entrega feita com IA e troque a pergunta qual ferramenta você usou? por qual decisão você ainda precisou tomar?. Essa mudança abre espaço para aprender critério, não só velocidade.